Palestrante:
Elvis Sousa
Data:
11/03/2010
Horário:
20:00
Local:
Kailash Concept Store - Al. dos Nhambiquaras, 349 – Moema
São Paulo, 11 de novembro de 2009
Literatura Médica Comentada
Saúde Mental
Todo mês, você encontra aqui um importante artigo da Literatura Médica Internacional condensado, traduzido e comentado pelo(a) especialista Maria Cristina Bechelany Dutra, psiquiatra, mestre em psicologia social, preceptora da residência de psiquiatria do Hospital de Ensino Instituto Raul Soares/FHEMIG, Belo Horizonte.
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27-07-2009 - Emprego, dose e tempo de uso de antibióticos em crianças entre 0 e 4 anos.
de Jong J, van den Berg PB, Visser ST, de Vries TW, de Jong-van den Berg LT. Antibiotic usage, dosage and course length in children between 0 and 4 years. Acta Paediatr. 2009 Apr 21. [Epub ahead of print]OBJETIVO: Os antibióticos são utilizados frequentemente em crianças de 0-4 anos de idade. Nós realizamos um estudo na Holanda utilizando uma base de dados de dispensação de medicamentos para investigar o emprego, a dose e o tempo de uso de antimicrobianos em crianças de 0-4 anos de idade.MÉTODOS: Utilizamos como base de dados os registros de dispensação de medicamentos de uma farmácia. Investigamos todas as prescrições de antibióticos sistêmicos entre os anos de 2002-2006 para crianças de 0-4 anos de idade. As prescrições para crianças com menos de 3 meses de idade foram excluídas. RESULTADOS: Crianças de 9-12 meses de idade receberam mais antibióticos que crianças em outras faixas etárias. Nas crianças entre 3-6 meses de idade, a amoxicilina foi prescrita em 75,2% dos casos. Esta percentagem foi 50,4% na faixa de 4 anos de idade. A participação de outros antibióticos de amplo espectro aumentou com a idade (claritromicina e amoxicilina-clavulanato). As penicilinas de pequeno espectro foram receitadas com menor frequência que os antibióticos de amplo espectro. Nas prescrições das 5 drogas mais utilizadas, 97,6% estavam dentro da dose recomendada. Na maioria dos casos, o tempo de uso correspondia às diretrizes clínicas. Das prescrições, 3,9% não eram licenciadas ou correspondiam a medicamentos fora de produção.CONCLUSÃO: No grupo de crianças entre 0-4 anos de idade, a maioria dos antibióticos é receitada dos 9 aos 12 meses de idade. Na maioria dos casos, as doses e a extensão do tratamento estavam corretas, mas a escolha do antibiótico não estava de acordo com as diretrizes clínicas. Crianças receberam receita de antibióticos não-licenciados e medicamentos fora de produção.
ComentáriosElvis Sousa da Silva Cardiologista pediátrico do Hospital Risoleta Tolentino Neves - FUNDEP.
O principal motivo das consultas pediátricas emergenciais é decorrente dos quadros infecciosos que apresentam causas diversas, e geralmente estas consultas são finalizadas com a prescrição de um tipo de antibiótico.
O antibiótico é considerado como uma das maiores descobertas da medicina e realmente mudou a história propiciando tratamento para diversas doenças infecciosas até pouco tempo incuráveis ou com altos índices de mortalidade como a pneumonia bacteriana, tuberculose, meningites dentre outras!
Na pediatria, nos deparamos com casos clínicos em que há dificuldade em avaliar adequadamente os pacientes pela irritabilidade durante as consultas, pouca colaboração com o exame físico e limitações inerentes à faixa etária, pressões familiares, crença inadequada que a indicação do antibiótico mais rapidamente poderia prevenir uma superposição da infecção bacteriana à infecção viral, e o principal deles que é a dificuldade em diferenciar etiologicamente a infecção viral da bacteriana. Há ainda a facilidade para a aquisição do antibiótico nas farmácias que não necessitam de retenção ou mesmo conferências da recita médica!
Os quadros infecciosos mais comuns da infância são a infecções respiratórias agudas (IRA) de causa geralmente viral sem indicação inicial da prescrição de antibióticos a não ser que haja infecção bacteriana secundária ou associada.Existem algumas situações cuja indicação do antibiótico é recomendada formalmente pelas academias de pediatria como a persistência dos sintomas além do tempo natural das infecções virais ou a comprovação por exames laboratoriais que o agente etiológico é uma bactéria.
Antes de prescrevermos antibióticos para pacientes pediátricos com quadro clínico sugestivo de rinossinusite, devemos observar a história natural das IRAs, que evoluem com dor de garganta e coriza por três a seis dias e podem manter sintomas gerais como febre, mal-estar e mialgia por seis a oito dias. Sabemos que até 25% destes pacientes com infecção respiratória aguda apresentam tosse com secreção nasal por até 14 dias.
Alguns trabalhos demonstram que o uso de antimicrobianos oferece poucos benefícios ás crianças com quadro de rinossinusite, a metanálise de seis estudos incluindo 562 crianças que foram tratadas com antibiótico por 10 dias comparados com placebo evidenciou que apenas uma em cada oito tratadas com antibióticos obteve melhora significativa dos sintomas.
Vários estudos já demonstraram que um percentual elevado de prescrição de antibióticos foi desnecessário (um estudo realizado em crianças paulistas chegou a um resultado de 68% de indicação inadequada), uma pesquisa realizada na Holanda observou incidência elevada de prescrição indevida de antibióticos além de prescrições de medicamentos de linhas especiais (de uso restrito) ou medicamentos que já não eram mais fabricados.
O uso inadequado do antibiótico gera gasto desnecessário e contribui para o aparecimento da resistência bacteriana, que é cada vez maior e mais comum entre pacientes da comunidade, isto é, pacientes que às vezes nunca estiveram hospitalizados.
Nós pediatras devemos ter cuidado no momento da indicação deste medicamento no intuito de que sejam realmente prescritos quando necessário e minimizemos o risco da resistência bacteriana.
Referência
1. de Jong J, van den Berg PB, Visser ST, de Vries TW, de Jong-van den Berg LT. Antibiotic usage, dosage and course length in children between 0 and 4 years. Acta Paediatr. 2009 Apr 21. [Epub ahead of print]
2. SANTOS, Ana Gabriela P. dos and BEREZIN, Eitan N.. Comparação entre métodos clínicos e laboratoriais no diagnóstico das faringotonsilites estreptocócicas. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2005, vol.81, n.1, pp. 23-28. ISSN 0021-7557.
3. American Academy of Pediatrics. Group A Streptococcal Infections. In: Pickering LK, ed. Red Book: 2003 Report of the Committee on Infections diseases. 26th ed. Elk Grove Village (IL): American Academy of Pediatrics; 2003. p. 573-84.
4. Diagnóstico precoce das faringoamigdalites estreptocócicas: avaliação pelo teste de aglutinação de partículas de látex. Maria Jussara F. FontesI; Flávia B. BottrelII; Maria Teresa M. FonsecaIII; Laura B. LasmarIII; Rosângela DiamanteIV; Paulo Augusto M. CamargosV. J. Pediatr. (Rio J.) vol.83 no.5 Porto Alegre Sept./Oct. 2007
5. Infecções respiratórias agudas, asma, antibióticos, tratamento, criança. Uso judicioso de medicamentos em crianças. J Pediatr (Rio J) 2003;79(Supl.1):S107-S114:
Coluna de Elvis Sousa
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
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